Poesia Online - PORTO DE ABRIGO

Retrato do herói

Herói é quem no muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
E morre devagar de morte certa.


Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.


Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo nem mártir nem soldado
Mas apenas por último indefeso.


Homem é quem tombando apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.


Manuel Alegre, O canto e as armas

http://portodeabrigo.do.sapo.pt/

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