Escritora na BE - Lídia Jorge

16 de FEVEREIRO

Enquadrado no projecto Nova Projectanda - CEFA - NS, a escritora estará presente na Biblioteca da ESA, pelas 20h e 30 m, para um Encontro com os alunos dos Cursos de Educação e Formação de Adultos, aberto a toda a comunidade.





Nascidos para Ler 2007-11-05



"Em que dia nos transformámos em leitores para sempre? Cada um de nós lembrará a sua história. Recordará um colo, um abraço, um livro colocado na mão de alguém, uma estante, um professor, uma certa noite, um certo dia. Aquele momento e aquela hora em que se associou uma voz humana com a capacidade de multiplicar imagens infinitas dentro da cabeça, e de permeio estavam folhas escritas. Alguém que de súbito põe a mão na máquina que roda o filme das letras, e o cinema começa a correr por dentro da nossa vida. Alguém que depois nos coloca diante duma estante e nos diz – Aqui tens, tantos seres humanos quanto as lombadas, tantos filmes quantas as páginas. És um homem livre.
Em que dia, então, nos transformámos em leitores para sempre? Em que dia começámos a nascer para ler? Em que mês do ano aconteceu esse acaso da multiplicação dos Espaços dentro das nossas vidas? Ao mesmo tempo Ulisses e os cinco Compson?
... "



Às Crianças 2007-11-05


"Os homens roubam a Poesia às crianças e depois dizem-se poetas.Claro que roubar é uma palavra com muitas setas e neste caso ela significa que cada um, em matéria de sonho, se alimenta, durante toda a vida, da criança que existe em si mesmo. Alimenta-se desse estado global próprio da inocência que precede a fala, ou que logo se lhe segue, mas de tal forma indistinto, que o mundo que une as crianças, ainda sem pátria nem fronteiras, funciona como um continente universal de acesso incontrolado. Deve ser, é essa a razão pela qual as narrativas que se dirigem às crianças, quando argutas, parecem acordar em cada um de nós um património que antes, muito antes de aqui chegarmos, já nos tinha sido franqueado sem o sabermos. E por isso uma bela história, contada às crianças, sempre nos põe de acordo quanto ao sentido da Humanidade." ...



A Casa dos Animais 2008-03-20


"Detesto dar lições seja a quem for, sobretudo se a matéria se relacionar com geografias, mas duvido que a história que vos vou contar se entenda minimamente, se à partida não conhecerem o local onde tudo aconteceu. Refiro-me à Avenida 24 de Julho em Lisboa, e seus prédios alinhados ao longo do Tejo. Se caminharem pela margem do rio até à zona onde o estuário faz uma barriga e passa por debaixo da Ponte, e virarem à direita, encontram uma grande casa de vidro. Subam a casa de vidro e vão até ao segundo andar. Contornem as lojas de computadores e vestuário. Parem, escutem, e se ouvirem rumor de pássaros, é nessa direcção que devem caminhar. Logo verão a montra repleta de araras e canários, e ao nível do solo, dormindo em suas jaulas, ninhadas de lindos cachorros e gatos. Por vezes dois ou três coelhos de pêlo cinzento, raramente um lagarto ou uma iguana. Talvez os hamsters tenham acordado e corram nas rodas. Podem parar para ver toda aquela agitação. Foi exactamente isso que me aconteceu no final duma tarde de Outubro do ano passado. Mas aviso-vos - Fiquem aí parados, não entrem, não queiram seguir os meus passos sem antes lerem o que tenho para vos contar.Eu entrei, sim. Detesto contar a minha vida, mas para se entender esta história, também tenho de vos dizer que eu tinha completado quinze anos e precisava de trabalhar. Alguém me havia dito – “Entra no Shopping de vidro e vai até à Ferreira’s Pet Shop, lá poderão dar-te trabalho…” Como disse, fui, parei diante da montra. Naquele dia, duas ararajubas de penas cor de oiro olhavam-me a partir dum galho, e eu entrei. Disse ao que vinha. O Senhor Ferreira, um homem baixo, esticado, em camisa de punhos com botão de madrepérola, retirou os óculos para me observar." ...


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