Biblioteca da Escola Secundária de Albufeira - AE Albufeira Poente
O escritor na escola: Abel Pereira Gonçalves
Lançamento do livro "Recordar Para Esquecer" de Abel Pereira Gonçalves, uma edição da Chiado editora.
O escritor na escola: Rodrigo Moite de Deus
15/02/2012 - Rodrigo Moita de Deus apresenta o livro: Será que as mulheres ainda acreditam em príncipes encantados?
Organização: Grupo de Português e Biblioteca
Apresentação do livro Breve História da Física
Ver fotos do evento: Álbum Facebook
Encontro com José Sequeira Gonçalves e João Espada

João Espada, Algarvio de nascença e Professor de Educação Visual e Tecnológica, tem vindo a expor ultimamente: no “Festival MED”, onde este ano foi comissário da exposição Colectiva com o artista Charlie Holt, Org. Câmara Municipal de Loulé, ALL GARVE.( Entrevista Terra Ruiva)
Fale-nos um pouco do "Amanhecer na Rotunda"... É escrito para quem?
Poesia e Fado por Ondina Santos





Ondina Santos a Escritora na BE
Biblioteca Municipal Lídia Jorge - Albufeira


A Escola Secundária de Albufeira não podia deixar de estar presente, representada pela sua Directora, Dr.ª Célia Pedroso, Sub -Director Dr. Henrique Silva e Adjunta Dr.ª Paula Abreu.

LIVROS. 1.e concluiu com esta passagem da página 109:
"No que respeita aos livros, melhor será os silvicultores plantarem muitas árvores e os bombeiros defenderem-nas do fogo, pois eles serão de papel. E assim, quando sobrevoarem grandes extensões de floresta, e pensarem que elas continuam a ser a garantia da sobrevivência da Terra, por favor, guardem no vosso olhar uma pequena reserva, descontem aquela parte que a cada ano se abate, e a cada ano se replanta, tendo em conta a existência dos livros. Por algum motivo na nossa tradição a sobrevivência pessoal se associa à escrita de um livro e à plantação de uma árvore, e a esses dois actos se junta a concepção de um filho. No jogo do destrói/constrói, talvez não fosse errado assegurarmo-nos desse equilíbrio, para continuarmos, depois do trabalho, a sentarmo-nos num sofá com Margarida e o Mestre entre as mãos, sem sentirmos remorsos nenhuns."
"Páginas atrás, eu disse que os livros seriam de papel.agora, pensando melhor, talvez tenha de me corrigir, aceitando que os livros, um dia, até poderão deixar de ser de papel. na hora da verdade, mais vale aceitar o princípio de que outras gerações poderão habituar-se a ler em ecrã táctil, fino e leve como um nada, e sendo da espessura de nada, contenha tudo lá dentro. Porque não falar desta suspeita?"
Algrave-se a Palavra
A tradição ainda é o que era!...Quem disse que tradição já não é o que era enganou-se!...
Quem veio prová-lo, foi António Viera Nunes que esteve presente na Biblioteca da ESA, no dia 26 de Maio pelas 20h, promovendo o seu livro “Algarviadas” que segundo o autor, nasceu para perpetuar uma série de expressões algarvias.
À boa e tradicional maneira portuguesa, António Vieira Nunes proporcionou boa disposição a todos os presentes, lendo excertos do seu livro, destacando vocábulos típicos do Algarve (sem esquecer a devida pronúncia) que relatam parte da maneira de falar de algumas aldeias algarvias.
O autor das “Algarviadas” relembrou palavras que muitos já tinham esquecido e outras que recordadas originaram risos e sorrisos cúmplices na plateia.
Foi com saber, engenho e mestria que o homem dos sete ofícios (como se pode ler na sua biografia) compôs quadras que abordam temas tais como: a educação e a política.
António Vieira Nunes na apresentação do seu livro, guiou-nos numa digressão ao longo dos tempos com o intuito de exaltar o dialecto algarvio.
Bem haja António Vieira Nunes por ser um acérrimo defensor das “Algarviadas”, afinal de contas património oral de todos nós!...
Algrave-se a PalavraO maduro Maio já prenuncia as enchentes que cairão neste chão até à próxima poda.
Cruzamentos de vozes, que falam o mesmo mas de outra forma, sotaques a que o solo já se habituou, especialmente quando o sol se mostra, prolongado, desinibido.
Vieram à montanha, mas se Maomé é o profeta, ele que mostre os seus dons de poliglota e faça a visita guiada a Meca.
E assim se vai gesticulando, adaptando, aldrabando palavras que não são nossas, para que os que vêm de longe repousem de costas, sem grandes demoras.
Mas nem só de pronúncias de fora vive este sul, que o sol vai abençoando.
Há a nossa língua, que esses que vêm de fora sabem que existe, e há o “linguajar” desta terra comprometida com o mar. Há sons, expressões, há um dialecto de gerações e emoções, que aos poucos vai sofrendo a erosão das chegadas e partidas, perdido no babilónico cruzamento de vozes.
“Para perpetuar uma série de expressões algarvias”, António Vieira Nunes, filho da terra e do mar, faz do livro a arma da sua cruzada, em nome da memória do falar que conhece há setenta e dois anos.
Amadurecido, este homem deixa o legado impresso da palavra original, genuína, unificadora das suas vivências multifacetadas, gravando nas páginas as quadras que contam a história das gentes que aqui estão desde sempre, as Algarviadas encadernadas num incontornável azul.
Veio de Loulé ao espaço em constante escalada pelo futuro, mas erguido sobre a palavra, para ler, ele mesmo, as estrofes que não trabalhou para serem quadras, mas que afinal resultaram em quadras.
No dia 26 do Maio maduro, António Vieira Nunes sentou-se na nossa Biblioteca, antes mesmo da dita apresentação ao município, e durante uma hora leu quadras do livro e textos que ainda hão-de ser matéria-prima para outros, intercalando com explicações sobre o seu ofício de gravar o “linguajar” algarvio, com ou sem rima.
Leu e repetiu palavras, acentuando o sotaque popularmente correcto, a entoação sincopada, uma espécie de errata fonética – onde se pronuncia “porco”, deve pronunciar-se “pórque”, porque é nesta final transformação vocálica que reside grande parte do encanto da oralidade algarvia, inconfundível, mas já esbatida.
Entrelaçou a leitura com interpelações aos ouvidos atentos, de modo a descobrir se as expressões que ia resgatando do passado eram novidade ou velhas conhecidas. “Marafado”, “escarado” e tantas outras que surgem grafadas no livro tal como o algarvio ainda não seduzido pela língua padrão as diz. E não, não são gralhas, são os exotismos de um património rural que António Nunes quer que fique no ouvido, palavras que não quer mudas, apesar da inevitável mutação.
Os sorrisos escutavam aquela figura sentada, despretensiosa, simples, que lia e não se cansava, feliz por estar a partilhar a palavra que gosta e que lhe custa que se perca, e de quando em vez transformavam-se em risos, quando a semântica era mais atrevida, antecedida do aviso para a saudável malícia.
A par da toada humorística e da defesa da tradição oral da sua região, António Vieira Nunes também leu as suas preocupações com o estado da Nação, atento à educação, à política e principalmente à liberdade- ou ao mau uso dela.
Ficou ainda para autografar as Algarviadas dos curiosos que querem saber mais do sítio que escolheram, ou dos que não escolheram e aqui nasceram e querem alguém com quem conversar, no mesmo “linguajar”, deixando perceber uma vontade incessante de continuar a partilha.
Eu, que pertenço ao grupo dos que estão cá de passagem, fiquei atraída do princípio ao fim por este retorno às raízes do espaço que agora vejo descaracterizado no neologismo “Allgarve”. Não sou de cá, mas sinto. E prefiro o arcaísmo bonito à novidade metalizada.
(Também sei que já poderia escrever maio, mas enquanto me for concedido, abdicarei da minúscula, em nome de um bem maior. E talvez por isso me tenha lembrado do Zeca.)
“Quem te quebrou o encanto nunca te amou”.

António Vieira Nunes na BE
Trata-se de um livro que reúne termos algarvios que o autor pretende que não sejam esquecidos.
Ricardo Araújo Pereira na BE
Este encontro foi promovido pelo Departamento de Língua Materna em parceria com a Biblioteca da ESA, actividade inserida no Projecto de Leitura Contratual das turmas B, C ,F,G e I do 10ºAno, da professora Fernanda Lamy.
Foi diante de uma plateia curiosa e vibrante que Ricardo Araújo Pereira começou por fazer um breve resumo da sua biografia. Sem tiques de vedeta, com serenidade e espontaneidade, confidenciou-nos que desde muito cedo quis ser escritor, porém os pais achavam que ninguém pode viver da escrita mas o futuro veio provar o contrário!...
Frequentou as aulas de escrita criativa com o professor Rui Zink e foi assim que começou a dar os primeiros passos.
Contou também, que sempre se sentiu atraído por aquilo que leva as pessoas a rir, o modo como riem, a contracção dos músculos, a expressão facial despertaram nele um especial interesse que procurou descobrir, desenvolver e aprofundar ao longo dos anos. Na infância começou por fazer rir a avó (uma das pessoas mais importantes da sua vida!) que lhe dizia:”Não tens piadinha nenhuma!”, certo é que hoje faz rir e/ou reflectir um país inteiro!...
Assumiu com frontalidade que nunca teve jeito para representar e que na escola, quando se tratava de peças de teatro era o último a ser escolhido. Ricardo a sua veia teatral desabrochou substancialmente, pois nós não nos esquecemos dos seus sketches imitando: Scolari, o professor Marcelo Rebelo de Sousa e ainda o nosso Primeiro-ministro.
Fez referência ao seu trabalho como guionista das “Produções Fictícias” e explicou em que consiste o trabalho do humorista que segundo ele”deve olhar para as coisas como se fosse a primeira vez, com um olhar diferente tal como uma criança.” Realçou ainda que se serve da “sua fulgurante imaturidade” para escrever.
Foram muitas as perguntas que os alunos colocaram ao Ricardo e ele respondeu a todas, intercalando as respostas com histórias que vinham a propósito e claro está que não faltaram as anedotas que deliciaram os presentes.Oportunamente, Ricardo Araújo Pereira aguçou a curiosidade dos nossos alunos, despertando-os para a leitura. Disse que na adolescência leu muito e continua a ler.
Tendo sido questionado sobre os seus escritores favoritos nomeou: Miguel Esteves Cardoso, Shakespeare, José Saramago e Lobo Antunes. Prosseguiu, deambulando por obras e autores, falando, ora em tom sério ora em tom de brincadeira com os tais “olhos de humorista.”

Com tempo e disposição para alguns autógrafos!
Fez referência à escrita de Lobo Antunes onde os leitores deduzem tudo sem que o autor lhes diga nada, recordou as primeiras páginas do Memorial do Convento de José Saramago, destacando as preocupações do rei em relação à descendência e relembrou-nos o sobrinho interesseiro e a tia beata da obra Queirosiana: A Relíquia. Que interessante ouvir falar assim de literatura!...
Sendo um benfiquista ferrenho, Ricardo Araújo Pereira contou-nos um pequeno episódio da sua vida, onde convenceu os pais a dar boleia a Eusébio da Silva Ferreira (seu ídolo) até ao aeroporto, rematou dizendo: “os meus pais não se aperceberam que nesse dia levaram no carro um ser divino”.
À semelhança de Gil Vicente dos tempos modernos, Ricardo Araújo Pereira conseguiu através do seu livro: Boca do Inferno dar vida à máxima: “A rir castigam-se os costumes.”
Por fim assinando o livro de honra da Escola.Lídia Jorge em noite de poemas e canções
Enquadrado no projecto "Nova Projectanda - CEFA - NS", a escritora e poetisa Lídia Jorge participou numa tertúlia literária com alunos e docentes dos Cursos de Educação e Formação de Adultos da ESA.Iniciando-se com uma apresentação multimédia que acompanhou a biobibliografia da autora, foram posteriormente lidos poemas e analisadas passagens de várias obras.
Numa noite ponteada com momentos musicais de poemas da autora e músicas originais do professor Carlos Cunha, a escritora foi uma agradável parceira de conversa, com os alunos e docentes a lerem poemas e a falarem da sua experiência de leitura das suas obras.
No final o livro de honra da escola foi enriquecido com palavras sábias da escritora num autógrafo com mensagem de estímulo aos jovens leitores desta escola.
A noite de 16 de Fevereiro não terminou sem um beberete e conversas pela noite fora.
A Costa dos Murmúrios, O Dia dos Prodígios, A Instrumentalina, O Vento Assobiando nas Gruas e muito mais obras que serão lidas ou relidas nos próximos tempos, ou como a educação não fica fechada entre quatro paredes mas solta-se na imaginação do leitor.Escritora na BE - Lídia Jorge

Enquadrado no projecto Nova Projectanda - CEFA - NS, a escritora estará presente na Biblioteca da ESA, pelas 20h e 30 m, para um Encontro com os alunos dos Cursos de Educação e Formação de Adultos, aberto a toda a comunidade.
Nascidos para Ler 2007-11-05
"Em que dia nos transformámos em leitores para sempre? Cada um de nós lembrará a sua história. Recordará um colo, um abraço, um livro colocado na mão de alguém, uma estante, um professor, uma certa noite, um certo dia. Aquele momento e aquela hora em que se associou uma voz humana com a capacidade de multiplicar imagens infinitas dentro da cabeça, e de permeio estavam folhas escritas. Alguém que de súbito põe a mão na máquina que roda o filme das letras, e o cinema começa a correr por dentro da nossa vida. Alguém que depois nos coloca diante duma estante e nos diz – Aqui tens, tantos seres humanos quanto as lombadas, tantos filmes quantas as páginas. És um homem livre.
Em que dia, então, nos transformámos em leitores para sempre? Em que dia começámos a nascer para ler? Em que mês do ano aconteceu esse acaso da multiplicação dos Espaços dentro das nossas vidas? Ao mesmo tempo Ulisses e os cinco Compson? ... "
Às Crianças 2007-11-05
"Os homens roubam a Poesia às crianças e depois dizem-se poetas.Claro que roubar é uma palavra com muitas setas e neste caso ela significa que cada um, em matéria de sonho, se alimenta, durante toda a vida, da criança que existe em si mesmo. Alimenta-se desse estado global próprio da inocência que precede a fala, ou que logo se lhe segue, mas de tal forma indistinto, que o mundo que une as crianças, ainda sem pátria nem fronteiras, funciona como um continente universal de acesso incontrolado. Deve ser, é essa a razão pela qual as narrativas que se dirigem às crianças, quando argutas, parecem acordar em cada um de nós um património que antes, muito antes de aqui chegarmos, já nos tinha sido franqueado sem o sabermos. E por isso uma bela história, contada às crianças, sempre nos põe de acordo quanto ao sentido da Humanidade." ...
A Casa dos Animais 2008-03-20
"Detesto dar lições seja a quem for, sobretudo se a matéria se relacionar com geografias, mas duvido que a história que vos vou contar se entenda minimamente, se à partida não conhecerem o local onde tudo aconteceu. Refiro-me à Avenida 24 de Julho em Lisboa, e seus prédios alinhados ao longo do Tejo. Se caminharem pela margem do rio até à zona onde o estuário faz uma barriga e passa por debaixo da Ponte, e virarem à direita, encontram uma grande casa de vidro. Subam a casa de vidro e vão até ao segundo andar. Contornem as lojas de computadores e vestuário. Parem, escutem, e se ouvirem rumor de pássaros, é nessa direcção que devem caminhar. Logo verão a montra repleta de araras e canários, e ao nível do solo, dormindo em suas jaulas, ninhadas de lindos cachorros e gatos. Por vezes dois ou três coelhos de pêlo cinzento, raramente um lagarto ou uma iguana. Talvez os hamsters tenham acordado e corram nas rodas. Podem parar para ver toda aquela agitação. Foi exactamente isso que me aconteceu no final duma tarde de Outubro do ano passado. Mas aviso-vos - Fiquem aí parados, não entrem, não queiram seguir os meus passos sem antes lerem o que tenho para vos contar.Eu entrei, sim. Detesto contar a minha vida, mas para se entender esta história, também tenho de vos dizer que eu tinha completado quinze anos e precisava de trabalhar. Alguém me havia dito – “Entra no Shopping de vidro e vai até à Ferreira’s Pet Shop, lá poderão dar-te trabalho…” Como disse, fui, parei diante da montra. Naquele dia, duas ararajubas de penas cor de oiro olhavam-me a partir dum galho, e eu entrei. Disse ao que vinha. O Senhor Ferreira, um homem baixo, esticado, em camisa de punhos com botão de madrepérola, retirou os óculos para me observar." ...
Leia os textos completos em:
Carlos "PAC" Nobre - Apresentação do seu livro

no seu quotidiano, no seu sustento, no seu prazer, nos seus amores, nas angústias e esperanças."
Carlos "Pacman" assinando o livro de Honra da ESA

Autografou alguns dos seus livros e as perguntas nunca paravam!

E
ainda as fotografias para mais tarde recordar!














